marginal


mais uma mancha a(ssa)ssina
a página e quase apaga
o poema cometido na esquina.
confesso, fui pego no flagra:
são do chopp os versos acima!

meu cão

meu cão
quer carinho
com seus olhos de anjinho
e seu peito no chão

eu não
consigo ser tão mansinho
se te vejo pertinho
e não ganho atenção

é que eu não sou cachorro não
já dizia o soriano
não tô aqui pra solidão
não quero isso pra esse ano

pois não,
agora tem um tempinho?
fasta o dedo mindinho
ou eu mordo a tua mão

paixão,
vem cá meu benzinho?
cravo os dedos caninos
no meu violão

é que esse meu olhar pidão
já fareja desengano
eu não quero mais desilusão
não faça isso que eu te amo

não deu pra evitar
não seja cega
se você me ignora
é claro que eu fico brega

piegas

mas isso é só
se me negas

canção lenta

você
me acusa por fazer
canção lenta e em português

não me importo porque
minha letra talvez
não sirva mesmo pra dizer
aquilo que o inglês quer ler

não gaguejo pra dizer que eu não sou lady
nem praguejo pro programa da tv
é que meu desejo nunca foi bombar na rede
nela eu só me deito e espero um beijo de você

se assusta quando não me vê inventar
e tanto que tenta me atentar, antenar
e tudo que eu sei é que eu

não fraquejo porque eu sei que não sou bieber
é que meu molejo não encaixa com clichê
o meu bem eu nunca vou chamar de baby
mesmo que esse meu bem seja...
você

quando vejo uma criança


quando vejo uma criança
lembro-me que já fui imenso...
tropecei foi nessa dança
do que eu sinto e do que eu penso.

essa mania me cansa!
eu era leve, fiquei denso.
a minha voz era mansa!
o meu tempo todo extenso...

o que quebrou essa balança?
foi o peso do adeus no lenço
d'onde cais, adolescência?

decrescer n'alma compensa?
que se grite à descendência:
deixem que o menino vença!

in convivência

veio a nota de despejo
e o desespero
apareceu
só eu vejo o inquilino
de mim:
sou eu.

cubo mágico

              e u t  e
              n t a n
              d o  t e
        e t  n e
        d n e r
        a m or

fé menina

quando falaram no tal big bang
eu segui acreditando em deus
a cor e a forma que a terra tem...
eu segui acreditando em deus

pisaram na lua, mapearam o sistema
e eu sigo acreditando em deus
revelaram galáxias, contaram estrelas
e eu sigo acreditando em deus

decifraram o genoma, a cura do coma
e eu sigo acreditando em deus
clonaram a ovelha, a idade da pedra

e eu nunca duvidarei da existência
que sempre se mostra evidente
quando me vejo diante de uma mulher

pra ver o que há de vir

quando me sinto preso em trânsito
tento encontrar um jeito de...
contentar os olhos atentos
do meu filho, em direito de...

encolher ali seu espanto.
ensino-o a espreitar além do alto:
e se lá houver alguma nuvem?
que se desenhe ou que se mova!

e se a essa hora já for noite?
que haja lua, ainda que nova!
mas se só vier de lá a chuva?

então que mire o chão e descubra
o ESTreLAR dos pingos no asfalto.
(enquanto eu o espero vir ao mundo)